Diferencias do livro "Entre a estatueta do Oscar..."
Sobre o autor
Tom Lisboa, além
de mestre em comunicação e linguagem, é também fotógrafo. Não
por acaso, tanto seu trabalho visual quanto o livro do Oscar,
questionam a manipulação que existe por trás da imagem e como ela
pode ser construída. Afinal de contas, se em imagem tudo é
representação, duvidar do que vemos é melhor forma de irmos além
da aparência, da superficialidade do nos é mostrado.
Em 2004, Tom Lisboa
fez duas exposições em Curitiba que procuraram estabelecer as
similaridades que existem entre a fotografia e mídia em geral, que são
a edição, a recontextualização de
imagens e a necessidade de um ponto de vista que as dê forma. Foram
elas: “Ficções Urbanas: o documentário”, exibida em 20 outdoors
no centro de Curitiba (www.sintomnizado.com.br/ficcoesurbanas)
e “A Fórmula Repaginada” que foi apresentada na Casa Andrade
Muricy e, posteriormente, no MAC de Campinas (www.sinTOMnizado.com.br/aformularepaginada).
Tom
Lisboa fez também especialização em Marketing e, talvez por isso,
assuntos ligados à mídia, e as imagens que circulam por ela, acabem
sendo referência constante em seus trabalhos visuais e escritos.
Tom Lisboa vem se
dedicando ao estudo do Oscar há 17 anos.
Sobre o livro
“Entre a
estatueta do Oscar e o Oscar da estatueta” é o primeiro livro que
deixa de lado a questão do mérito da premiação. Esta escolha
justifica-se da seguinte forma: se o Oscar representasse a excelência
do cinema mundial, teria que cumprir a impossível tarefa de “fazer
justiça” a todas as cinematografias; se, por outro lado, fosse um
prêmio pouco importante, não teria os altos índices de audiência
que registra a cada ano e não contaria com o apoio da mídia, da indústria
do cinema e de outros países do mundo. Ser bom ou ruim não serve
para explicar o fenômeno que circunda este objeto. Guy Debord, em a
Sociedade do Espetáculo, faz uma reflexão: “no espetáculo o fim não
é nada, o desenrolar é tudo”. Neste caso, bom ou ruim é um fim,
um rótulo, algo que já estaria sacramentado. O livro “Entre a
estatueta...” tem foco neste desenrolar, em como se formou este invólucro
invisível que foi construído “em torno” da estatueta, mas que
alterou definitivamente nossa maneira de percebê-la. Isto porque se,
em 1929, este objeto era apenas um guerreiro dourado segurando uma
espada, atualmente, sua imagem é decodificada pelo público como um
aval de qualidade e excelência.
O livro traz dois
apêndices que registram, de certa forma, o reflexo que a imagem do
Oscar teve sociedade brasileira. O primeiro é uma listagem de 74
exemplos coletados de jornais, revistas e internet que fazem referência
a “um tipo de Oscar”. Os exemplos vão dos mais comuns como Oscar
da televisão americana (Emmy) e Oscar Brasileiro (Grande Prêmio BR
de cinema) aos mais curiosos como Oscar das Panificadoras ou Oscar da
Pecuária. O segundo apêndice mostra réplicas da estatueta do Oscar
em eventos brasileiros que nem sempre estão ligados ao cinema.
O foco principal do
livro deixa de lado as intrigas de bastidores, as estatísticas
mirabolantes ou as injustiças desta premiação. Apesar do livro
trazer muitas curiosidades para o leitor, todas são utilizadas como
suporte para algum tipo de reflexão.
“Entre a
estatueta...” usa a teoria das quatro fases da imagem de Jean
Baudrillard para traçar um possível trajeto de evolução da imagem
da estatueta do Oscar. Neste percurso, serão analisadas suas ligações
com os veículos de comunicação de massa, a indústria do cinema, a
expansão do cinema americano no mundo, a Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas, a cerimônia de premiação e as estrelas de
cinema.
O
livro é o primeiro volume da Coleção Recém-Mestre, da Universidade
Tuiuti do Paraná, cujo objetivo é disponibilizar para a sociedade
suas dissertações que obtiveram nota máxima da banca de defesa.
Sendo assim o livro já chega ao público com a avaliação de 3
professores-doutores especialistas na área em que a dissertação foi
defendida.

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Release para o lançamento do livro no
Festival de Gramado 2004
A
resposta para a pergunta “Que prêmio é mais brasileiro, o Kikito
ou o Oscar?” parece óbvia. No entanto, se o dicionário é a coletânea
dos vocábulos de uma língua, seremos surpreendidos pela presença do
Oscar e a ausência do troféu do Festival de Gramado. O livro Entre
a estatueta do Oscar e o Oscar da estatueta, do fotógrafo e
pesquisador de cinema Tom Lisboa, procura explicar como este prêmio
atingiu tal dimensão no mundo contemporâneo ao analisar a transformação
desta imagem a partir de um intervalo de tempo definido: um em 1929,
quando olhar a estatueta remetia apenas à figura de um guerreiro
dourado segurando uma espada; e outro, na atualidade, em que o
Oscar, como imagem, encontra-se desreferencializado de seu objeto
original. Em outras palavras: de tanto ser protagonista de um espetáculo
televisivo que espetaculariza a vida de pessoas reais, a própria vida
acabou sendo convertida em uma espécie de show
contínuo. Foi-se o tempo em que havia a separação entre real e
imaginário, signo e coisa.
De
acordo com o autor, o tema da pesquisa surgiu em decorrência da forma
como este prêmio se aproximou de nossa cultura. Além de constar de
nosso dicionário, o Oscar extrapolou os limites do cinema e virou uma
espécie de “sinônimo da excelência”. Por isso, o livro traz
dois anexos curiosos: um com 74 exemplos do uso do nome do Oscar pela
imprensa, que vão dos já comuns, “Oscar da Música” ou “Oscar
da Televisão”, até os mais singulares como o “Oscar do
transporte aéreo” ou o “Oscar da farmácia de manipulação”; e
outro, que mostra como a silhueta da estatueta do Oscar se
metamorfoseu em troféus de competições nacionais ligadas às mais
variadas áreas de atuação como, por exemplo, o Prêmio Victor
Civita (educação), o Troféu Imprensa (televisão), entre outros.
O
que torna Entre a estatueta... diferente de outros livros do gênero
é a decisão de deixar de lado a análise do mérito da premiação
e, principalmente, não enfocar aspectos sensacionalistas e
curiosidades de bastidores. Se curiosidades existem (e são muitas), não
são pelo fato em si, mas como elas podem servir de suporte para
reflexão. Tom desconstrói gradualmente a imagem do Oscar, buscando,
nas suas partes elementares, explicações para o fenômeno que hoje
presenciamos. A teoria das quatro fases da imagem, de Jean
Baudrillard, filósofo francês que afirma que “é perigoso
desmascarar as imagens, já que elas dissimulam que não há nada por
detrás delas”, é a principal base teórica que serve de fio
condutor para a análise que tem três objetivos principais:
identificar a formação do imaginário que circunda a estatueta,
estudar a importância dos meios de comunicação na transformação
da estatueta em seu próprio simulacro e analisar o caráter
espetacular da cerimônia do Oscar em consonância com os tempos
atuais.
Este
estudo vem a público através de uma iniciativa da Prof. Drª Denize
Correa Araujo, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), que em 2004
idealizou a Coleção Recém-Mestre, visando publicar as
dissertações do Mestrado em Comunicação e Linguagens que obtiveram
nota máxima e indicação de publicação pela Banca de Defesa. Entre
a estatueta do Oscar e o Oscar da estatueta é é seu primeiro volume.
Entendendo que a integração instituição
de ensino-sociedade é de extrema relevância, ao publicar suas
melhores dissertações, a UTP quer oferecer ao leitor temas de
interesse na área de comunicação social e de interfaces midiáticas.
Contato
com Tom Lisboa (41) 9965-2565 tomlisboa@terra.com.br

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