Doc Pop: documentário de uma metrópole qualquer(2001)
Consumismo, solidão, pressa, (muito) trabalho, congestionamento. Faces de uma metrópole capturadas a partir de imagens de TV. Exercício de olhar que não se prende a uma cidade, mas busca nos vários canais de um aparelho eletrônico um contexto plausível para a idéia que se quer transmitir. Uma viagem sem sair do lugar e sem contato humano. Uma forma contemporânea de registrar uma sociedade já acostumada a ready-made, delivery e internet. Um retrato aleatório de várias metrópoles que encerram as mesmas sensações. Doc Pop é um trabalho de edição. O contexto original das fotos, na maioria das vezes, não tem nada a ver com o resultado aqui exposto. A imagem em movimento da TV, que é esquecida assim que surge a próxima,  foi aqui capturada e (re)utilizada com outros fins. E foi garimpando imagens através desta janela que o presente trabalho foi surgindo e se desenvolvendo. Uma prova real do poder da edição que consegue transformar a realidade naquilo que queremos ver (ou mostrar). 

Observações sobre a exposição:
Este é o trabalho que dá início à pesquisa sobre a apropriação, edição e recontextualização de imagens televisivas, em um processo de reorganização da realidade que busca, através da fotografia, oferecer novas possibilidades de interpretação e apreciação crítica da influência homogeneizante da TV. Ela aconteceu em junho de 2001 no Museu da Imagem e do Som, em Curitiba. As fotos estão separadas no que chamei três níveis: Concretos, Humanos e Percepções. No total são 21 painéis. O formato de história em quadrinho é proposital e tem também a ver com a impressão de se estar contanto uma história.