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Projeto Cinematógrafo é a terceira intervenção
urbana de Tom Lisboa em Curitiba
Exposição é um exercício que transforma, na prática, o espectador em
diretor de imagens
Pelo terceiro ano consecutivo, e novamente no
mês de maio, Tom Lisboa realiza um novo projeto de intervenção urbana para
a
cidade de Curitiba. Primeiro foi Ficções Urbanas(2004), apresentada em 20
outdoors e, em seguida, polaroides (in)visíveis(2005),
que foi fixada em pontos de ônibus e conquistou reconhecimento nacional ao
vencer o Prêmio Porto Seguro de Fotografia,
na categoria pesquisas contemporênas.
No entanto, ao contrário das intervenções
urbanas realizadas anteriormente, o Projeto Cinematógrafo se caracteriza não
pela
criação de uma obra, mas pela confecção de um objeto-instrumento, mais
especificamente uma moldura com seu interior vazado,
que é inserido em locais públicos. Ao todo, 50 molduras serão espalhadas pela
cidade. A inserção destes objetos começa no
dia 25 de maio e se estenderá até dia 31, ocupando diferentes bairros e, pela
primeira vez, serão incluídos alguns espaços fechados
no percursso, tais como shoppings, cafés e livrarias, mas que não deixam de
ser ramificações "naturais" do ambiente urbano
que habitamos.
E a palavra "projeto" parece realmente
adequada para definir este tipo de "imagem cinematográfica" que pode
ser continuamente
observada através de um enquadramento, mas nunca apreendida em película ou formato
digital. Explica-se: a moldura vazada nos dá
a ver o próprio espaço urbano, sem nenhum tipo de filtro ou mediação
técnica. Por outro lado, projeto também tem a ver com este
tipo de cinema que está sendo proposto, que não é cinema de fato, mas um
"projeto" de cinema, uma efêmera reconstitução do
ato de projetar sobre o real um retângulo e capturar dele apenas um fragmento.
De acordo com Lisboa: "O Projeto
Cinematógrafo é uma intervenção que tem no espectador seu principal agente e
a cidade
como cenário. E participar dela como diretor/observador significa estabelecer
com a cena enquadrada um novo tipo de relação.
Diferente do visor de uma câmera, aquilo que se vê através da moldura nunca
poderá ser destacado de seu entorno. Tanto
"o dentro" quanto "o fora" são partes indissociáveis e
confluem para a apreciação do "filme" que escolhemos fazer."
Nunca termina
Assim como polaroides (in)visíveis, o Projeto
Cinematógrafo não é uma intervenção pontual, mas que poderá estar sempre
acontecendo tanto em Curitiba, quanto em outros centros urbanos. Somente a data
de início é fixada.
E as polaroides (in)visíveis têm cumprido bem
esta característica. Começou em 2005 em 18 pontos de ônibus e, em 2006, sua
expansão foi considerável: em outubro chegará a Porto Alegre, através de uma
parceria com a Galeria Lunara, na Usina do Gasômetro
e a Caixa Econômica Federal aprovou o projeto de realização de mais 100
polaroides para 6 bairros de Curitiba.
É um "projeto" que não tem fim.
Serviço:
Local: praças, pontos de ônibus, shoppings, cafés e livrarias de
Curitiba
Quando: colocação das molduras de 25 a 31 de maio
Site da exposição Projeto
Cinematógrafo: www.sinTOMnizado.com.br/cinematografo
(fotos em alta resolução, textos e um clip da exposição podem ser acessados
no endereço acima)
Sites das outras intervenções citadas na
matéria:
Polaroides (in)visíveis: www.sinTOMnizado.com.br/polaroides
Ficções Urbanas: www.sinTOMnizado.com.br/ficcoesurbanas